Com excepção dos comentários aos Congressos do CDS, não utilizo este blogue como prolongamento da minha actividade partidária. Estando em tempo de excepção, aqui deixo algumas notas sobre o último Congresso do CDS. Espero ter tempo de desenvolver uma ou outra ideia, com mais tempo.
1) Apoiei Paulo Portas à liderança do CDS. Entre ele e José Ribeiro e Castro – e foi essa decisão que fui convocado a tomar - pareceu-me que era Paulo Portas quem melhor poderia assegurar a manutenção do CDS como alternativa política e, dos dois, quem melhor parecia compreender a necessidade de abertura e actualização ideológica do CDS que venho defendendo.
2) Encontro-me entre aqueles que defendem a necessidade de imprimir uma marca liberal no CDS, que deverá não só resultar dos esforços e convicções de todos aqueles que, de forma diferente, se aproximam do liberalismo, como igualmente, enquanto tendência partidária, deverá direccionar a sua intervenção para o contexto político e partidário nacional.
3) Considero que a marca liberal no CDS é histórica e ideologicamente legítima e que a sua relevância dependerá da vontade dos seus militantes. Entendo que a mesma não enforma nenhuma viragem à esquerda nem está talhada para confundir o CDS com o PSD.
4) A minha recusa em participar nos órgãos nacionais do CDS deveu-se única e exclusivamente, como lá se sabe, à minha dupla vontade de não “profissionalizar” a minha actividade partidária e de manter a minha total liberdade. Não se deveu, por isso, como já vi insinuado, a qualquer reserva à eleição de Paulo Portas, à composição dos órgãos ou à vontade de desfiliação.
5) Registo, com muito e especial agrado, a entrada de nomes como os de Francisco Mendes da Silva, Bernardo Pires de Lima, Leonardo Mathias e Manuel Castelo Branco.
6) Realço, demonstrando aliás a falta de fundamento das muitas críticas que foram sendo feitas ao longo destas semanas e que davam a democracia-cristã como ideologia em risco, a entrada de Assunção Cristas na Comissão Política Nacional. O facto de provirmos de orientações distintas não me impede de dizer que ela não só foi uma das melhores aquisições do último congresso, com a qual o CDS só tem a ganhar, como igualmente constitui um importante, equilibrado e sólido referencial da democracia cristã no CDS.
"...pareceu-me que era Paulo Portas quem melhor poderia assegurar a manutenção do CDS como alternativa política..."
ResponderEliminarDesculpe lá, sem querer ofender, mas o CDS alguma vez foi, é ou será alternativa ao centrão instalado no poder?
Quando esse centrão acabar (e que esse dia chegue depressa) acaba o regime. E com ele o CDS.
Ou não será?
Aplaudo a tua vontade (e a do BPL) de liberalizar o CDS. No entanto, face à possibilidade remota e «stillborn» de um CDS Liberal, não posso deixar de pensar duas coisas.
ResponderEliminarA visão «aproximada ao liberalismo» formatada para um partido de conservadores, cristãos, populistas, anti-pro-choice e europeístas-mas-de-má-vontade, é tão viável e consistente como pedir a uma matilha a ser mais felino.
funes, o facto de aqui se escrever/comentar em tom crítico (e muito crítico até) não me ofende nada! Venham de lá essas pedras!
ResponderEliminarFilipe, nesta discussão, todas as aparências jogam favor da tua tese, pelo que não posso contrariar-te muito. Apenas com a convicção de que os partidos não são estáticos. Ver o PS de hoje face ao PS de 87 pode dar uma noção do que um partido pode evoluir em 10, 20 anos. E alguém tem de a fazer por dentro para que, volvidos não sei quantos anos, outros se possam juntar :)
Um abraço,
a.